Terremoto devasta população haitiana


"Ontem a cidade de Port-au-Prince foi tingida por um forte terremoto. Já falatavam hospitais, a polícia já estava mal treinada, e depois do terremoto o que eu pude ver nas ruas de Port-au-Prince foi o caos e o total abandono da população haitiana. Pessoas mortas, pessoas desesperadas, ninguém sabia o que fazer, nem mesmo eu e meu grupo. Queriamos ajudar mas não tinha ninguém agindo, a própria polícia só estava tentando salvar a própria pele. Os feridos nem tentavam ir pro hospital, ficavam nas calçadas, porque sabiam que não teriam atendimento médico. Um posto de gasolina explodiu perto do nosso grupo. Enfim, caos.

Do site da Juventude Revolução - IRJ - Relato de Daniel Santos, que está no Haiti com um grupo da Unicamp. Ele nos conta qual a situação do país após o terremoto de 12 de fevereiro.


Essa situação do terremoto não poderia ter sido evitada, mas seus desdobramentos sim. A MINUSTAH possui 12 mil militares aqui no Haiti, só o Brasil possui 1.300 oldados aqui. Mas nas ruas da cidade até agora (dia 13 de jan, às 13:30) não se ve tropas da MINUSTAH na rua. A impressão que fica é que as tropas não estavam aqui para ajudar a população haitiana, mas sim para defender interesses dos estrangeiros. Nesse momento decisivo, as tropas foram para o prédio da ONU e para o hotel rico da cidade. E a população que está na rua esprando ajuda? E aqueles que estão agora embaixo dos escombros, vivos, esperando ajuda? Aguentarão por quanto tempo?

Agora, as armas parecem não ajudar muito, somente para garantir a propriedade privada, como está fazendo a polícia aqui no nosso quarteirão. Estão prendendo pessoas desesperadas que saqueavam um supermercado, ao invés de socorrer as vítimas."

Daniel Santos
Militante da JR-IRJ, núcleo Campinas, e membro do Conselho Nacional

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