China e EUA trombam por Taiwan

 

 






Fotos de Taipé, capital de Taiwan*


Depois de Copenhague e do caso Google, China e EUA trombam novamente por conta de Taiwan e Tibete. A China anunciou sanções comerciais às empresas americanas que forneçam armamento a Taiwan, que inclui helicópteros e baterias antimísseis e navios. O jornal oficial do Partido Comunista chinês, o Diário do Povo, acusa os EUA de "pensamento grosso e irracional digno da Guerra Fria".


Após estabelecer reações diplomáticas com a China comunista, uma lei de 1979 obriga os EUA a zelar pela segurança de Taiwan, que a China considera uma Província rebelde, mas que tem um governo autônomo há 60 anos. Há 1500 mísseis no litoral chinês apontados para Taiwan. Nos últimos dois anos, porém, a relação dos dois lados do Estreito de Formosa melhoraram após a eleição do presidente taiwanês Ma Ying-jeou, que defende melhores relações comerciais com a China continental. Mas 77% dos taiwaneses se consideram taiwaneses _apenas 8% se consideram chineses. E a retórica chinesa parece não ajudar muito na reaproximação.


A indústria armamentista tem sua lógica própria e seus lobbies poderosos. Enquanto os EUA armam Taiwan, a China arma o Paquistão e colabora com Irã, Birmânia e Coreia do Norte. No final de 2008, o governo Bush anunciou a venda de armamentos para Taiwan no mesmo valor, mas a reação chinesa foi mais discreta. O novo status da China após a crise financeira global lhe permite ser mais agressiva para defender seus interesses.


Ontem foi a vez da China ameaçar com "severas consequências" caso Obama receba o líder tibetano no exílio, o dalai-lama. A China o julga um líder separatista e terrorista, enquanto parte do mundo o vê como líder religioso de uma minoria perseguida por cinco décadas. Ao dizer a Obama que ele não deve receber o dalai, a China acaba forçando o contrário: Obama terá que recebê-lo ou vai parecer fraco. Talvez seja mesmo de propósito. É a desculpa para a China dizer que não vai colaborar nas sanções contra o programa nuclear do Irã no Conselho de Segurança da ONU. O Irã é o segundo maior fornecedor de petróleo da China.


Para ler mais sobre minhas últimas reportagens em Taiwan, clique em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft0401201009.htm e http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft0401201010.htm


*a primeira foto mostra praticantes do Falun Gong, a religião perseguida na China, fazendo seus movimentos (inspirados no tai chi) diante do Museu do Palácio Nacional em Taipé (democracia é isso); o museu, o quinto maior do mundo, nas fotos seguintes, tem maior coleção de arte chinesa do planeta, com 630 mil peças _ a maior parte delas vinda da Cidade Proibida de Pequim, Chiang Kai-shek levou tudo para lá ao ser derrotado pelos comunistas; o segundo edifício mais alto do mundo, o Taipé 101, de arquitetura neoalguma coisa; shoppings abertos, uma tendência no Extremo Oriente, e ciclovias demarcadas nas ruas e nas calçadas.

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