Pequenas considerações sobre as “Questões Haddad”.

Hoje, pelo twitter, tive acesso a um artigo onde o ministro Haddad. Dizia ele defender a “promoção por mérito” para os professores, o que premiaria o “esforço do professor” além do um “estágio probatório”. Sugeriu ainda uma “prova nacional de admissão para professores”.


Resolvi lançar um pouco de tempero a essa discutição. Nada do que digo foi discutido em uma reunião ou coisa parecida. São apenas boa idéias...


Boas idéias ministro, mas algumas situações precisam ser pontuadas.


Antes, vamos considerar essa tabela de alguns dados colhidas na internet – sem qualquer preocupação cientifica – sobre os salários iniciais de cada profissão.


Insistir na formação de um profissional na área de educação que o valorize e o responsabilize pelo conhecimento e a sua atividade é uma linda idéia, mas dentro do quadro atual da educação brasileira a sua estrutura e realidade nos diversos municípios, esse discurso é apenas perfumaria.


Instalar laboratórios de informática – simplesmente para acessar o ‘mundo social’ – implantar laboratórios sem uma permanente capacitação do pessoal e aquisição de matérias para o laboratório adiantará de que?


Jogar a “crise da educação” nas mãos dos educadores é fácil!


Veja, foi a chapeuzinho vermelho que provocou o lobo mal.

Também, com aquela roupa!


Caro ministro, quer melhorar a nossa profissão, acho uma boa idéia. Aceito as suas propostas e em troca, quero negociar o seguinte:


1º) Construção de creches e escolas – não só os prédios – bem estruturadas, com salas climatizadas e com a garantia de materiais para trabalho – mapas, computadores, laboratórios, quadras, datashow, salas de estudo, biblioteca – próximas as casas dos alunos.


2º) Garantir aos alunos passe-livre irrestrito – o funcionamento dos ônibus também – para irem à escola e freqüentarem shows, teatros... e, a sua alimentação nos intervalos.


3º) Realizar concurso para preencher as vagas precarizadas por conta do contrato “interino” e as que serão criadas por conta das construções de mais escolas em todas as cidades do Brasil.


4º) Fixação de professores em uma escola, com um salário digno de um educador – como um de um deputado ou juiz, por exemplo – e organização da carga horária para que nós possamos preparar a aula, realizar pesquisas, ler livros, preparar provas, corrigir provas, realizar projetos tudo dentro da escola, sem levar trabalho para casa.


5º) Remunerar com horas-extras os professores que realizam viagem por conta de projetos que as escolas realizam.


6º) Preparar um fundo de financiamento para aquisição de bens necessários a uma boa atuação do professor: livros, computador, revistas, casa própria.


Acredito ser esses 6 pontinhos uma boa base pra nossa negociação. Se algo foi esquecido, meus colegas podem acrescentar na discussão.


E aí, ministro?


Vamos trocar a implantação das “questões Haddad” pela implantação das “Necessidades Reais da Educação” agora?


Nós, professores, temos milhares de idéias revolucionárias para a educação. Vai nos dar toda a estrutura para realizarmos? Que bom.


Agora, depois que toda essa reestruturação for realizada, pode mandar a prova e nos avaliar por mérito.


Eu sabia que iríamos nos entender.

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