Primavera dos Povos

Revoluções liberais

A reação conservadora resultante do Congresso de Viena e da Santa Aliança, assinada entre Áustria e Rússia com o apoio da Inglaterra, não consegue impedir que os ideais revolucionários continuem a se expandir. Por volta de 1830 ressurge na Europa o processo de revoluções liberais que começa com a Independência dos Estados Unidos em 1776 e tem seu auge na Revolução Francesa em 1789. Além dos princípios liberais as revoluções de 1848 incorporam as lutas do proletariado.

Era do liberalismo – As revoluções eclodem em vários países da Europa tendo como características comuns o nacionalismo, o liberalismo e elementos do socialismo. O nacionalismo faz com que os povos de mesma origem e cultura procurem se unir; o liberalismo se opõe aos princípios da monarquia; e o socialismodireciona para reformas sociais e econômicas profundas contra a desigualdade. Os conservadores tentam consolidar a restauração monárquica, enquanto os liberais querem a expansão econômica, social e política capitalista.





“Primavera dos povos” – É como fica conhecido o período dos movimentos revolucionários de independência nacional ocorridos na Europa entre 1848 e 1849, embora nem todos tenham se consolidado. Em várias partes da Europa eclodem revoltas em busca da independência e da identidade nacional.

REVOLUÇÃO DE 1848 NA FRANÇA

Resulta da crise econômica, desemprego e falta de liberdade civil. Os operários se revoltam contra as condições de vida. A burguesia se vê obrigada a atender ao movimento revolucionário adotando o sufrágio universal, a democracia e os direitos trabalhistas.

2a República – A insurreição de trabalhadores, estudantes e da Guarda Nacional força a abdicação de Luís Felipe, o “rei burguês”, e a nova proclamação da República, em fevereiro de 1848. Forma-se um governo provisório, composto de liberais e socialistas. Os trabalhadores começam nova insurreição em Paris, reprimida pelo Exército com mais de 10 mil mortos.

Império de Napoleão III – Em novembro é proclamada a Constituição republicana e realizada a primeira eleição presidencial direta na França, vencida por Luís Bonaparte, sobrinho de Napoleão. Em dezembro de 1851, com o apoio da Guarda Nacional, burguesia e massas de desempregados, Bonaparte dá um golpe de Estado, dissolve a Câmara e suspende as liberdades civis e políticas. Proclama-se Napoleão III e instaura um império hereditário.

REVOLUÇÃO DE 1848 NA ALEMANHA

As reivindicações revolucionárias francesas se propagam pela Alemanha. Trabalhadores levantam barricadas em Berlim e a burguesia toma posição contra o poder constituído. O povo nas ruas exige a formação de uma milícia popular, liberdade de imprensa e integração da Prússia à Alemanha. Em março de 1849 é aprovada a Constituição imperial alemã: o imperador hereditário passa a compartilhar o governo com o Parlamento (Reichstag). Logo em seguida ocorre a reação conservadora com a retirada dos deputados prussianos e austríacos da Assembléia Constituinte. Esta é dissolvida e novas insurreições populares são reprimidas pelo Exército.

GRÉCIA

O movimento de libertação da Grécia contra o Império Otomano começa em 1821 e desenvolve-se até 1830, quando é proclamada a Independência. A reação turca contra a emancipação da Grécia é bastante violenta, marcada pelo massacre em Chio em abril de 1822 e pelo cerco de Atenas de 1826 a 1827.

HUNGRIA

Aproveitando a efervescência revolucionária, os territórios húngaros ocupados proclamam sua independência do império austríaco dos Habsburgo em 1848 e estabelecem um governo democrático, que é logo depois reprimido com violência por tropas austríacas. Em 1867 é assinado um acordo estabelecendo uma monarquia que preserva autônomas a Áustria e a Hungria, ainda sob o reinado dos Habsburgo. A Hungria passa a ter Parlamento e ministérios próprios.

BÉLGICA E POLÔNIA

O levante de Bruxelas, em 1830, conduz à criação de um governo e um Congresso Nacional provisórios na Bélgica. As insurreições na Polônia contra o domínio russo em 1830 e 1831 também são reprimidas. Em 1841, Rússia, Prússia e Áustria repartem a Polônia.

UNIFICAÇÃO ITALIANA

Desde a onda revolucionária de 1848 e 1849, contra a dominação austríaca, começam as tentativas de unificação do reino da Itália. Durante esse período os revolucionários proclamam pelo menos três repúblicas, a de São Marcos, a Toscana e a Romana, mas os exércitos austríacos derrotam os liberais e tropas francesas ocupam Roma.

Política de Cavour – Em 1852 Camilo Benson, conde de Cavour, assume a presidência do Conselho do Piemonte e começa a pôr em prática um programa para a unificação da Itália. Sua estratégia é mobilizar a população em torno de um único nome, o de Vittorio Emmanuel, e fazer uma aliança com o imperador francês Napoleão III para poder enfrentar as forças austríacas.

Sociedade Nacional – Em 1857, Giuseppe Garibaldi e Pallavicino, com o apoio de Cavour, fundam a Sociedade Nacional para fomentar a unidade e conquistar a independência. Fracassam as tentativas de Cavour de conseguir o apoio estrangeiro. Ganham corpo as insurreições patrióticas e as tropas de camisas vermelhas organizadas por Garibaldi. A partir de 1860 Garibaldi passa à ofensiva, liberta a Sicília e a Calábria, derrota as tropas do papado e dos Bourbon e estabelece as condições para a instalação de um Estado unificado na Itália . O Estado é unificado por Vittorio Emmanuel, rei da Sardenha, entre 1861 e 1870. Proclamado rei da Itália, Vittorio Emmanuel enfrenta resistência austríaca em devolver Veneza e a recusa do Estado pontifício em entregar Roma para ser capital do reino.

UNIFICAÇÃO ALEMÃ

A divisão da Alemanha em pequenos Estados autônomos atrasa seu desenvolvimento econômico. As atividades comercial e bancária se intensificam com a União Aduaneira (Zollverein) de 1834, com o fim da servidão e com a introdução do trabalho assalariado na agricultura (1848). A partir de 1862, a Prússia conquista a hegemonia sobre os demais Estados alemães e aplica uma política interna unificadora e externa expansionista, tendo Otto von Bismarck como primeiro-ministro.

Crescimento econômico – A política de Bismarck é facilitada pelo rápido crescimento econômico germânico, baseado na produção de carvão mineral e ferro bruto. A produção mecânica, elétrica e química cresce com a concentração de grandes empresas como Stinnes, Krupp, Stumm e Siemens. O transporte naval e ferroviário intensifica o comércio externo. Quando o II Reich (o I Reich é o Sacro Império Romano-Germânico, instalado por Oto I em 962) é instalado por Guilherme I, o país já é uma grande potência industrial e militar.

Otto von Bismarck (1815-1898), conhecido como “chanceler de ferro”, é o grande mentor da unificação alemã sob hegemonia prussiana. É ministro do rei da Prússia, em 1862. Sua caminhada para alcançar a unidade alemã sob a hegemonia da Prússia começa com a vitória de Sadowa, sobre a Áustria, em 1866. A guerra contra a França, em 1870 e 1871, consolida sua política e permite a proclamação do II Reich. Como chanceler do novo império, dedica-se a acrescentar-lhe novos poderes. Combate ferozmente os socialistas, reprimindo-os ao mesmo tempo que procura conquistar os trabalhadores com uma política social. Realiza uma política externa baseada no confronto com a França.

Fonte:
http://www.vestibular1.com.br/revisao/rv1_his.htm

Postagens mais visitadas