Ustasha: Inquisição católica em pleno século XX

De fato é impossível conhecer tudo o que se passou na história dos povos, dos países.


Mesmo nos momentos mais estudados – aqui no caso a o nazismo e a segunda guerra mundial – por vezes nos saltam aos olhos situações das mais extremas.

Esse é o caso da Croácia e dos Ustasha.

Um partido de extrema direita, ligado intimamente a igreja católica e aos nazistas.

Impuseram a religião por meio “paus, pedras, machados” sobre cerca de um milhão de mortos.

Os dois textos a seguir dará mais clareza a esses eventos tão temidos e ocultados pelo império católico.

Texto 1

O holocausto ocultado pela mídia

Fonte: http://www.brasilwiki.com.br/noticia.php?id_noticia=9159

A grande mídia adora falar do nazismo e seus grandes crimes, mas omite outro regime extremamente sanguinário: a Ustasha. O regime Ustasha - Estado "Independente" da Croácia (NDH, em croata, Nezavisna Država Hrvatska) nasceu em 1941 graças à invasão nazi-fascista da Iugoslávia durante a Segunda Guerra Mundial. O Vaticano apoiou o regime de Ante Pavelic (mistura de Torquemada e Hitler) porque desejava um império católico nos Balcãs. O regime croata (mistura de nazismo com inquisição católica) exterminou mais de 700.000 sérvios (cristãos ortodoxos), 60.000 judeus, 30.000 ciganos e milhares de opositores.

A cumplicidade da Igreja Católica croata com este regime sanguinário foi intensa, a ponto de padres liderarem conversões forçadas (de sérvios ortodoxos), massacres e campos de extermínio (Jasenovac, por exemplo). A crueldade Ustasha era tão grotesca que chocou até mesmo os alemães e italianos, que tiveram que dar um freio no fanatismo Ustasha. O chefe religioso Ustasha, cardeal Stepinac, foi beatificado pelo papa João Paulo II em 1998.


O assunto Ustasha é um grande tabu na grande mídia nacional e internacional, graças ao lobby católico. O Vaticano, através de $eu banco, receptou e lavou o dinheiro roubado pelos fugitivos do regime nazi-católico da Croácia (Ustasha) no final da Segunda Guerra, além de ajudar os ustashas a fugir praa América do Sul, via Ratlines. A cumplicidade vaticana com os croatas rendeu uma ação judicial. Advogados dos EUA, representando sobreviventes e parentes de vítimas do regime Ustasha, estão tentando processar, sem sucesso, o Banco do Vaticano.
Ver site dos advogados. As folhas do processo contra o Banco Vaticano. 
O livro O holocausto do Vaticano de Avro Manhattan, aborda este holocausto
 Texto 2


A Ustasha e o silêncio do Vaticano

Fonte: http://holocausto-doc.blogspot.com/2010/11/ustasha-silencio-do-vaticano-parte-1.html
Os crimes dos ustashi croatas (NDH)
O OUTRO HOLOCAUSTO

O VATICANO E O GENOCÍDIO NA CROÁCIA

 
Ante Pavelic e Papa Pio XII

A maior parte das pessoas ignora que durante a Segunda Guerra Mundial se produziu outro genocídio, cuja brutalidade superou com acréscimo o visto em campos de concentração nazis. O assassinato de meio milhão de sérvios na Croácia já passou por direito próprio aos anais dos mais infames crimes contra a humanidade. O papel da Igreja Católica nesta tragédia não foi em absoluto menor.

Quando Adolf Hitler atacou a Iugoslávia em 6 de abril de 1941, ficou imediatamente evidente que a Wehrmacht contava com o apoio de grupos traidores dentro do Estado iugoslavo. O exército do país estava entre a espada e a parede, superado pela imensa maquinária de guerra alemã e apunhalado pelas costas por terroristas pró-nazis membros do Partido Ustasha, uma perigosa organização croata de extrema-direita. Inclusive os comandos de algumas unidades de maioria croata estiveram em conversações com os nazis, abrindo-lhes praticamente as portas do país.1

1. Keegan, John, The Second Worid War, Penguin Books, Nova York, 1990.

O Estado independente da Croácia foi declarado em 10 de abril de 1941, no mesmo dia em que a 14ª divisão panzer alemã entrou em Zagreb e foi recebida com entusiasmo pela população. A invasão da Iugoslávia por parte das tropas de Hitler presumiu a divisão do país em duas nações independentes. A católica Croácia via de fato realidade em seu sonho de ser independente da Sérvia ortodoxa. Nos termos de sua organização e ideologia, o novo Estado croata era uma nação totalitária fundada no princípio de um Führer que, desde que mantivesse sua subordinação à Alemanha, podia fazer e desfazer de seus caprichos.

O caudilho que tomou as rédeas do país foi Ante Pavelic, chefe dos ustachis. Pavelic e seus seguidores estiveram exilados na Itália sob a proteção de Mussolini, já que eram procurados pelos governos da França e Iugoslávia acusados de planejar os assassinatos do rei Alexandre da Iugoslávia e do primeiro-ministro francês Louis Barthou. Pavelic estabeleceu na Croácia, com a ajuda de seus padrinhos nazis, o NDH «Nezavisna Drzava Hrvatska» (Estado independente da Croácia). Em 14 de abril, o bispo primaz da Croácia, Alojzije Stepinac, reunia-se com Pavelic para transmitir-lhe sua felicitação ao tempo em que repicavam todos os sinos do país para celebrar a vitória. A cambio, Stepinac recebeu o nomeação de Supremo Vicário Apostólico Militar do Exército Ustashi. A imprensa católica se desfazia em bajulação ante o ditador;
Deus, que controla o destino das nações e dirige o coração dos reis, deu-nos a Ante Pavelic e promoveu a líder de um povo amistoso e aliado, Adolf Hitler, a empregar suas tropas vitoriosas para dispersar nossos opressores e nos permitir criar o Estado independente da Croácia. Glória a Deus, nossa gratidão a Adolf Hitler, e infinita lealdade ao chefe Ante Pavelic.2
2. Manhattan, Avro, Catholic Imperialism ana Worid Freedom, op. cit.

Tal efusão não é de se estranhar se temos em conta que uma investigação da comissão iugoslava de crimes de guerra estabeleceu que o arcebispo Stepinac havia sido um dos principais atores na conspiração que conduziu à conquista da Iugoslávia. No final das contas, a Igreja Católica levou séculos sonhando com a ideia de um reino católico nos Balcãs, algo que finalmente aconteceu quando Pavelic e Hitler galgaram ao trono a Tomislav II, cuja função foi meramente decorativa. A identidade do Estado estava baseada mais na afiliação religiosa que na etnicidade. O fanatismo católico dos ustashi estava decidido a converter a Croácia em um país católico mediante uma combinação de conversões religiosas forçadas, expulsão e extermínio.

O HERÓI PAVELIC

O clero apoiava o regime com um entusiasmo fanático. A maioria dos católicos compartilhavam as metas ideológicas dos ustashi e receberam com beneplácito o fim da tolerância religiosa imposta pela antiga Iugoslávia. O Papa em pessoa recebeu em audiência a Pavelic e bendisse a toda a delegação dos ustashi deslocada à Roma, incluída a representação da Irmandade dos Grandes Cruzados, encarregados de converter ao catolicismo os sérvios por meio de táticas que, como veremos, não eram precisamente evangelizadoras.3

3. Bulajic, Milán, The Role of the Vatican in the Break-Up of the Yugoslav State: The Mission of the Vatican in the Independen! State of Croatia: Ustashi Crimes of Genocide (Documents, facts). Ministério da Informação da República Sérvia, Belgrado, 1993.

Durante seus quatro anos de existência como Estado independente (1941-1945), na Croácia foram executados mais de 750.000 sérvios, judeus e ciganos.4 Dos 80.000 judeus da Iugoslávia, 60.000 foram assassinados, a grande maioria deles na Croácia. A maioria dessas matanças foram cometidas pelos ustashi. Croácia foi o único país, junto com a Alemanha, em que funcionaram campos de concentração em grande escala na Segunda Guerra Mundial.

Ao contrário dos nazis, que idealizaram um sistema de extermínio industrial e discreto, o genocídio na Croácia e Bósnia-Herzegovina se caracterizou pela execução de assassinatos rituais em lugares públios, perpetrados com sádico e desenfreado entusiasmo. O historiador austríaco Freidrich Heer comentava em 1968 que o que ocorreu na Croácia era o resultado do «fanatismo arcaico de épocas pré-históricas». Segundo este especialista, Pavelic foi «um dos maiores assassinos do século XX». Isto não é obstáculo para que, curiosamente, Pavelic seja visto como um herói na Croácia moderna.

O «herói» croata costumava referir-se aos sérvios da seguinte maneira; «Os eslavo-sérvios são o desperdício de uma nação, o tipo de gente que se vende a qualquer um e a qualquer preço...». Boa parte desta animada versão era incitada de púlpitos. O próprio arcebispo Stepinac dizia:
Depois de tudo, os croatas e os sérvios pertencem a dois mundos distintos, pólo norte e pólo sul, nunca se darão bem a não ser por um milagre de Deus. O cisma da Igreja Ortodoxa é a maior maldição da Europa, quase mais que o protestantismo. Aqui não há moral, nem princípios, nem verdade, nem justiça, nem honestidade.5
4. Bulajic, Milán, Never again: Ustashi Genocide in the independent State of Croatia (NDH) from 1941-1945, Ministério da Informação da República Sérvia, Belgrado, 1992.

5. Dedijer, Vladimir, The Yugoslav Auschwitz and the Vatican: The Croatian Massacre ofthe Serbs during Worid War II, Prometheus Books, Nova York, 1992. A autenticidade da citação do arcebispo é inapelável, já que no livro em questão aparece o texto manuscrito de seu punho e letra.

Em 12 de junho de 1941, todos os judeus e sérvios da Croácia se encontraram com o fato de que sua liberdade de movimento havia sido restringida. O ministro da Justiça, Milovan Zanitch, não tinha o menor inconveniente em declarar o sentido destas medidas:
Este Estado, nosso país, é só para os croatas e para ninguém mais. Não haverá caminhos nem medidas que os croatas não empreguem para fazer que nosso país seja realmente nosso, limpando dele de todos os ortodoxos sérvios. Todos aqueles que chegaram em nosso país há trezentos anos devem desaparecer. Não ocultamos nossas intenções. É a política de nosso Estado e para sua promoção a único coisa que faremos será seguir fielmente os princípios dos Ustashi.6
LIMPEZA ÉTNICA

Para então, as matanças já haviam começado. Mile Budak, ministro da Educação do governo croata, declarava em Gospic em 22 de julho de 1941:
As bases do movimento ustasha são a religião. Para as minorias, como os sérvios, judeus e ciganos, temos três milhões de balas. Mataremos um terço da população sérvia, deportaremos outro terço, e o resto lhes converteremos à fé católica para que, desta forma, sejam assimilados aos croatas. Assim destruiremos até seu último rastro, e tudo o que restará será uma memória aziaga deles...7
A campanha de limpeza étnica teve começo quase que de imediato. Boa parte da legislação e estrutura administrativa do novo Estado se adaptou para que se ajustasse tanto quanto mais possível ao direito canônico.

6. Manhattan, Avro, The Vatican Holocaust, Ozark Books, Springfield, 1988.
7. Dedijer, Vladimir, op. Cit


Stepinac viu com particular beneplácito a lei que decretava a pena de morte pelo aborto e a lei que impunha trinta dias de cárcere por insultar.8 A oposição política foi varrida da vida pública. Proibiu-se a publicação de textos em cirílico, o alfabeto empregado pelos sérvios. Assim mesmo, começou-se uma campanha de «arianização» que denegou os matrimônios mistos entre católicos croatas e membros de outras etnias. Na entrada dos parques se instalaram cartazes no que se podia ler: «Proibida a entrada de sérvios, judeus, ciganos e cachorros».9 A Igreja croata recebeu estas medidas com um mal dissimulado entusiasmo, que foi revelado, por exemplo, nas palavras de Mate Mogus, sacerdote de Udbina:
«Até agora temos trabalhado para a fé católica com o livro de orações e a cruz. Agora chegou a hora de trabalhar com o rifle e o revólver».10
Enquanto isso, o infame campo de concentração de Danica começou a receber suas primeiras vítimas:" no princípio judeus, e logo todos os classificados como «indesejáveis», isto é, os não-católicos, que representavam mais de 60 por cento da população.

8. Alexander, Stella, The Triple Myth. A Ufe of Archbishop Alojzije Stepinac, East European Monographs, Nueva York, 1987.
9. Crowe, David M., A History of Gypsies of Eastern Europe ana Russia, St. Martin's Griffín, Nueva York, 1994.
10. Dedijer, Vladimir, op. cit.
11. Cornweil, John, op. cit.


As atrocidades que se cometeram nos campos de concentração da Croácia não têm comparação, e em alguns casos superam as dos nazis. Djordana Diedlender, guarda do campo de Stara Gradiska, deu este estremecedor testemunho durante o julgamento contra o comandante do campo, Ante Vrban:
Naquela época, chegavam diariamente novas mulheres e crianças ao campo de Stara Gradiska. Ante Vrban ordenou que todas as crianças fossem separadas de suas mães e levadas a uma habitação. Disse a dez de nós que as levássemos até ali envoltas em mantas. As crianças gritavam por toda a habitação e uma delas pôs um braço e uma perna na porta de forma que esta não pode ser fechada. Vrban gritou: «¡Empurre-na!». Eu não o fiz, e assim ele deu uma batida com a porta destroçando a perna da criança, depois pegou-lhe pela outra perna e a lançou contra o muro até matá-la. Depois disto, continuou metendo as crianças ali. Quando a habitação ficou cheia, Vrban usou gás venenoso e matou a todas.12
12. Memorando de crimes do genocídio cometidos contra o povo sérvio pelo governo independente da Croácia durante a Segunda Guerra Mundial. Outubro de 1950. Enviado ao presidente da V Assembleia Geral das Nações Unidas por Adam Pribicivic, presidente do Partido Democrático Independente de Iugoslávia, Vladimir Bilayco, antigo magistrado do Supremo Tribunal da Iugoslávia, e Branko Miljus, antigo ministro de Iugoslávia.

O PRAZER DE MATAR

A ferocidade dos ustashi alarmou inclusive os próprios nazis, que temiam que uma repressão brutal contra uma população tão grande desembocasse num levante armado. Em 17 de fevereiro de 1942, Reinhard Heydrich, um dos maiores artífices da Solução Final (o plano dos altos hierarcas do Terceiro Reich para exterminar os judeus) e, como tal, não caracterizado por sua piedade, expressava sua inquietude ao Reichführer das SS, Heinrich Himmier:
O número de eslavos massacrados pelos croatas das formas mais sádicas está estimado em 300.000 [...]. A realidade é que na Croácia os sérvios que restaram vivos são aqueles que se converteram ao catolicismo, a quem lhes é permitido viver sem ser molestados [...]. Devido a isto, está claro que o estado de tensão servocroata é uma luta entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa.
Ante a fria eficiência dos nazis, que haviam convertido o genocídio numa sinistra tipo de produção em massa, os ustashi faziam da morte de suas vítimas algo pessoal, comprazendo-se em sua tortura pública e humilhação. Esta e não é outra a razão de que se conserva um grande número de testemunhos fotográficos de semelhantes atrocidades. Trata-se de instantâneos que em sua maioria foram tiradas como «recordação» pelos carrascos. Neles se podem ver barbaridades dificilmente concebíveis por uma mente sensata: desde sessões de tortura animadas por um excitado público até procissões de cabeças cravadas em lanças pelas ruas de Zagreb.13 O próprio Pavelic se mostrava perversamente prazeiroso agradar os diplomáticos que lhe visitavam com cestas cheias de olhos humanos.14

Inclusive os endurecidos fascistas italianos que controlavam uma porção da Croácia durante a guerra estavam horrorizados com os ustashi, e conseguiram resgatar a um grande número de judeus e ortodoxos, negando-se a devolver para uma morte certa os refugiados que chegavam à sua zona de controle. O arcebispo Stepinac se queixou desta atitude dos italianos ante o bispo de Mostar, os italianos voltaram e reimpuseram sua autoridade civil e militar. As igrejas cismáticas reviveram imediatamente depois de seu regressso e os sacerdotes ortodoxos, até então escondidos, reapareceram com liberdade. Os italianos pareciam favorecer os sérvios e prejudicar os católicos,15 como ante o ministro para assuntos italianos em Zagreb:
Ocorre que nos territórios croatas anexados pela Itália se pode observar uma queda constante da vida religiosa e um evidente virada do catolicismo ao cisma. Se a parte mais católica da Croácia deixar de sê-la no futuro, a culpa e responsabilidade ante Deus e da história será da Itália católica. O aspecto religioso deste problema o transforma em minha obrigação de falar em termos simples e abertos desde o momento em que sou o responsável pelo bem-estar religioso da Croácia.16
13. Anderson, Scott y Anderson, Jon Lee, The League, Dodd, Mead & Company, Nueva York, 1986.
14. Black, Edwin, IBM y el Holocausto, Editorial Atlántida, Buenos Aires, 2001.
15. Dedijer, Vladimir, op. cit.
16. Falconi, Cario, U silenzio di Pió XII, Sugar, Milán, 1965.


Fonte(livro): Biografía no autorizada del Vaticano; capítulo 5
Autor(livro): Santiago Camacho
Tradução(do original em espanhol): Roberto Lucena













Foto: Soldados Ustasha (fascistas croatas) matam uma vítima com uma daga e uma baioneta. Iugoslávia, entre 1941 e 1944.
 Jewish Historical Museum of Yugoslavia (Museu de História Judaica da Iugoslávia)



Parte 2

 

fonte: http://holocausto-doc.blogspot.com/2010/12/ustasha-e-silencio-do-vaticano-parte-2.html


Os crimes dos ustashi croatas (NDH)

OS FRADES ASSASSINOS

Genocídio: soldados ustashi posam 
ao lado de cinco sérvios mortos.
O mais escandaloso de todo este sórdido assunto é que não poucos sacerdotes e, sobretudo, freis franciscanos, estiveram no comando destes campos da morte.

Com poucas exceções aqui e ali, o fenômeno aqui descrito era característico dos massacres ustashi. A diferença dos extermínios em outros países durante a Segunda Guerra Mundial, é de que era quase impossível imaginar uma expedição punitiva ustashi sem a presença de um sacerdote no comando, tratando-se geralmente de um franciscano.17

17. Ibid.

O mais conhecido deles foi o frei franciscano Miroslav Filipovic, que dirigiu o campo de Jasenovac, onde se deu uma morte atroz a milhares de pessoas. Outro franciscano daquele campo, Pero Brzica, ostenta um recorde ainda mais macabro se couber.

Ante à chegada de novos prisioneiros, ficou evidente a necessidade de assassinar aos já existentes para dar lugar aos recém chegados. O pessoal do campo se mostrou entusiasmado ante esta perspectiva:

O franciscano Pero Brzica, Ante Zrinusic, Sipka e eu apostamos para ver quem mataria mais prisioneiros em uma só noite. A matança começou e depois de uma hora eu matei muitos mais que eles. Sentia-me no sétimo céu. Nunca havia sentido tal éxtasis em minha vida. Depois de um par de horas havia conseguido matar a 1.100 pessoas, enquanto os outros só puderam assassinar entre 300 e 400 cada um. E depois, quando estava experimentando meu mais grandioso prazer, notei um velho campesino parado me olhando com tranquilidade enquanto matava minhas vítimas e elas morriam com o maior sofrimento.


Essa olhada me impactou; de imediato me congelei e por um tempo não pude me mover. Depois me aproximei dele e descobri que ele era do povoado de Klepci, próximo de Capijina, e que sua família havia sido assassinada, sendo enviado a Jasenovac depois de javer trabalhado no bosque. Falava-me com uma incompriensível incomprensible paz que me afetava mais que os desgarradores gritos que se sucediam ao meu redor. De imediato senti a necessidade de destruir sua paz mediante a tortura e assim, mediante seu sofrimento, poder restaurar meu estado de êxtase éxtasis para poder continuar com o prazer de infligir dor.


Apontei-lhe e lhe fiz sentar comigo num tronco. Ordenei-lhe a gritar: «Viva Poglavnik Pavelic!», ou te corto uma orelha. Vukasin não falou. Arrenquei-lhe uma orelha. Não disse uma uma palavra. Disse a ele outra vez que gritasse: «Viva Pavelic!» ou te arranco a outra orelha. Então a arranquei. Grite: «Viva Pavelic!», ou te corto o nariz, e quando lhe ordenei pela quarta vez gritar «Viva Pavelic!» e lhe ameacei arrancar o coração com meu cuchillo, olhou-me e em sua dor e agonia me disse:


«Faça seu trabalho, criatura!». Essas palavras me confundiram, congelou-me, e lhe arranquei os olhos, logo o coração, cortei-lhe a garganta de orelha a orelha e lo tiré al pozo. Mas algo se rompeu dentro de mim e não pude matar mais durante toda essa noite.


O franciscano Pero Brzica me ganhou a aposta, havia matado a 1.350 prisioneiros. Eu paguei sem dizer uma palavra.18
18. Bulajic, Milán, The Role of the Vanean in the Break-Up of the Yugoslav State: The Mission of the Vatican in the Independent State of Croatia: Ustashi Crímes of Genocide (Documents, facts), op. cit.

Por esta hazaña o franciscano recebeu o título de «rei dos cortadores de gargantas» e um relógio de outro, possivelmente roubado de um prisioneiro antes de executá-lo.

CONVERTER-SE OU MORRER

A barbárie, longe de decrescer, aumentou e chegou a um ponto em que nem sequer a formalidade dos campos de extermínio foi considerada necessária. Povoados inteiros foram assaltados e seus habitantes passados a faca, quando não assassinados com martelos e machados, enforcados ou inclusive crucificados. Os sérvios sofreram as torturas mais atrozes que se enchiam com especial sanha os sacerdotes ortodoxos, muitos dos quais foram queimados, esfolados ou esquartejados vivos:

As execuções em massa eram comuns, as vítimas, degoladas e às vezes despedaçadas. Em muitas ocasiões era comum ver pedaços de carne penduradas em matadouros com um cartaz que dizia «carne humana». Os crimes dos alemães em campos de extermínio pareciam pequenos comparados com as atrocidades cometidas pelos católicos. Os ustashi adoravam os jogos de tortura que se convertiam em orgias noturnas, e que incluíam cravar pregos ao vermelho vivo debaixo das unhas, pôr sal nas feridas abertas, cortar todas as partes humanas concebíveis e competir pelo título de quem era o melhor degolador de suas vítimas. Queimaram igrejas ortodoxas cheias de gente, empalaram crianças en Vlasenika e Kladany, cortaram narizes, orelhas e arrancaram olhos. Os italianos fotografariam a um ustashi que tinha duas correntes de línguas e olhos ao redor do pescoço.19

Todas as propiedades da Igreja ortodoxa foram saqueadas e confiscadas. A maior parte desta pilhagem foi transferida para a Igreja católica croata, que seguia encatada com o regime. O arcebispo de Sarajevo, Saric, chegou ao extremo de publicar uma poesia enaltecendo o líder dos ustashi:

Contra os avarentos judeus com todo seu dinheiro, os que queriam vender nossas almas, atraiçoar nossos nomes, esses miseráveis.

Você é a rocha onde se edifica a pátria e a liberdade. Proteja nossas vidas do inferno, marxista e bolchevique.

Outra pilhagem, neste caso espiritual e econômica ao mesmo tempo, que recebeu a Igreja Católica foi a conversão forçada de milhares de sérvios, que, a ponta de faca, foram obrigados a renegar sua religião. Estas conversões em massa foram classificadas de grande triunfo para o catolicismo por parte da hierarquia eclesiástica.20 Por que esta pilhagem de almas era também econômica? Porque para adicionava iniquidade à infâmia, estas conversões se realizavam sob prévio pagamento de 180 dinares à Igreja por parte do converso.

19. Deschner, Kariheinz, Mit Gott una den Faschisten, Günther Verlag, Stuttgart, 1965.

20. Djilas, Aleksa, The Contested Country: Yugoslav Unity and Communist Revolution, 1919-1953, Harvard University Press, Cambridge, 1991.

Além disso, aqueles que sabiam escreve deviam enviar uma carta de agradecimento ao arcebispo Stepinac, que informava pontualmente ao Papa da boa marcha das conversões. Em qualquer caso, os únicos que tinham a opção de salvar a vida mediante conversão eram os campesinos campesinos pobres e incultos das zonas rurais. Todo sérvio educado, com capacidade de conversar ou transmitir algo parecido a uma identidade nacional sérvia era assassinado sem possibilidade de salvação.

VISITANTE APOSTÓLICO

Em 14 de maio de 1941, os sérvios da localidade de Glina foram concentrados num salão de atos por um bando ustashi comandados pelo abade do monastério de Gunic. Na continuação, ordenou-se que mostrassem seus certificados de conversão. Só dois deles dispunham do documento. O resto foi degolados enquanto o abade rezava por suas almas.

Entre a venda de certificados de conversão e o saqueio dos tesouros guardados nas igrejas ortodoxas, não resulta em exagero dizer que se houve alguém que obteve benefício econômico do genocídio cometido pelos coatras foi, precisamente, a Igreja Católica. Em contrapartida, durante toda a guerra, a Igreja católica apoiou oficialmente o regime, apesar de seus desmandos e loucuras serem públicos e notórios.

O Vaticano não podia alegar desconhecimento destes graves acontecimentos. Em 17 de março de 1942, o Congresso judaico mundial enviou à Santa Sé uma nota de auxílio, uma cópia da qual ainda se conserva em Jerusalém.

Várias milhares de famílias foram deportadas para ilhas desertas na Costa Dálmata ou internadas em campos de concentração [...]. Todos os homens judeus foram enviados a campos de trabalho onde lhes foram dados trabalhos de drenagem ou saneamento durante os quais pereceram em grande número [...]. Ao mesmo tempo, suas esposas e filhos foram transladados a outros campos onde igualmente tiveram que afrontar graves privações.

Monsenhor Giuseppe Ramiro Marcone, um beneditino da congregação de Monte Vergine e membro da academia romena de São Tomás de Aquino, era o representante pessoal do Papa no episcopado da Croácia, e mantinha o Santo Padre a par de tudo que ali sucedia. Os defensores do Vaticano alegam que Marcone era um simples «visitante apostólico». Contudo, para o Ministério de Assuntos Exteriores em Zagreb, o padre Marcene tinha status de «delegado da Santa Sé», e nas cerimônias oficiais lhe colocava a frente, inclusive, dos representantes do Eixo, sendo considerado decano do corpo diplomático. Além disso, Marcone, em sua correspondência com o governo ustashi, qualificava-se a si mesmo como Sancti seáis legatus ou Elegatus, mas nunca como «visitante apostólico».

Os meios de comunicação também faziam eco desta situação. Em 16 de fevereiro de 1942, a BBC emitia o seguinte informe sobre a Croácia:

As piores atrocidades estão sendo cometidas ao redor do arcebispo de Zagreb. O sangue de irmãos corre em rios. Os ortodoxos estão sendo obrigados a força a se converterem ao catolicismo e não escutamos a voz do arcebispo se pronunciando à rebelião. Em lugar disso, informa-se de que está tomando parte em desfiles nazis e fascistas.

Nem sequer quando a imprensa internacional começou a informar amplamente sobre as barbaridades cometidas por clérigos católicos, o Papa fez algo para deter os sanguinários franciscanos. A própria imprensa católica croata refletiu em suas páginas a perseguição, tratando-a como se fosse a coisa mais normal do mundo. Em 25 de maio de 1941, em Katolicki List, o sacerdote Franjo Kralik publicou uma reportagem entitulada «Por que os judeus estão sendo perseguidos», no que justificava o genocídio da seguinte forma:

Os descendentes daqueles que odiaram a Jesus, que o condenaram a morte, que o crucificaram e imediatamente perseguiram a seus discípulos, são culpados de excessos maiores que os seus antepassados. A cobiça cresce. Os judeus que conduziram a Europa e ao mundo inteiro ao desastre — moral, cultural e econômico — desenvolveram um apetite que somente o mundo em sua totalidade pode satisfazer. Satanás lhes ajudou a inventar o socialismo e o comunismo. O amor tem seus limites. O movimento para libertar o mundo dos judeus é um movimento para o renascimento da dignidade humana. O Todopoderoso e Sábio Deus está por trás deste movimento.
O FIM DE STEPINAC

Quando se viu com claridade que o curso da guerra ia a ser contrário ao Eixo, Stepinac realizou alguns atos de «repentino humanitarismo», atos nos quais se basearam os revisionistas croatas para pedir ao Yad Vashem israelense, a Autoridad Nacional para a Recordação dos Mártires e Heróis do Holocausto, a inclusão de Stepinac en sua «Lista de Justos». A petição foi negada em duas ocasiões. Um representante da instituição declarou em respeito a isto que «pessoas que, ocasionalmente, ajudaram a um judeu e colaboraram simultaneamente com um regime fascista que foi parte do plano de extermínio nazi contra os judeus, ficam desqualificadas para o título de "Justo"».

Os contatos dos ustashi com o Vaticano não terminaram com o final da Segunda Guerra Mundial. Em 25 de junho de 1945, tão só sete semanas depois de concluído o conflito, os ustashi contactaram com uma missão papal em Saizburgo, na zona da Áustria que estava sob a administração estadunidense. Pediam ao Papa sua ajuda para a criação de um Estado croata, ou, ao menos, uma união danúbio-adriática na qual os croatas pudessem se estabelecer.21 A própia Igreja escondeu e ajudou Ante Pavelic a fugir — burlando as autoridades aliadas —, que conseguiu escapar para a Argentina.22 Em seu leito de morte, e sob a proteção de Franco, recebeu a bênção pessoal do Papa João XXIII. João Paulo II recusou visitar em reiteradas ocasiões os campos de concentração de Jasenovac em suas visitas à Croácia, preferindo receber o ex-líder croata e negador do Holocausto Franjo Tudjman.

Finalmente, um dos fatores que mais chama a atenção desta história é que, ao terminar a guerra, o Vaticano não fez nada para socorrer Stepinac, circunstância que conhecemos por uma carta do marechal Tito fechada em Zagreb em 31 de outubro de 1946:

Quando o representante do Papa ante nosso governo, o bispo Hurley, fez-me sua primeira visita, expus-lhe a a questão de Stepinac. «Llévenselo de Iugoslávia», disse-lhe, «porque de outra forma nos obrigaram a pô-lo sob prisão». Adverti o bispo Hurley das ações que teríamos que seguir. Discuti o assunto detalhadamente com ele. Fiz-lhe saber dos muitos atos hostis de Stepinac contra nosso país. Dei-lhe um arquivo com toda classe de provas documentais dos crimes do arcebispo.
21. Aarons, Mark e Loftus, John, Unholy Trinity: The Vatican, the Nazis and the Swiss Banks, St. Martin's Griffin, Nova York, 1998.

22. Ibid.

Esperamos quatro meses sem que ocorresse nenhuma resposta, até que as autoridades prenderam Stepinac e o levaram a julgamento, de maneira semelhante a qualquer outro indivíduo que atue contra o povo.

O arcebispo ficou bastante parado, apesar da sordidez de suas andanças durante a guerra. Foi julgado e condenado a dezesseis anos de prisão num julgamento que contou com os testemunhos de dezenas de testemunhas que contaram toda classe de abusos cometidos por clérigos católicos sob o reino do terror ustashi. Sua única defesa durante no julgamento foi dizer: «Tenho a consciência tranquila». Só nesse momento Pio XII atuou, apressando-se em excomungar os participantes no julgamento, e conseguindo finalmente sua libertação um anos depois. Stepinac foi elevado à categoría de beato por João Paulo II em outubro de 1998.

Fonte(livro): Biografía no autorizada del Vaticano; capítulo 5
Autor(livro): Santiago Camacho
Tradução(do original em espanhol): Roberto Lucena


 

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