Robôs evoluem e se tornam altruístas em laboratório na Suíça

(Li no Bule Voador que pegou no MeioBit - que também leio)

Editor: Eduardo Patriota Gusmão Soares

Introdução: Muitos religiosos não conseguem entender como ateus diferenciam o certo do errado, o bem do mau, entre outros conceitos morais e éticos. Sam Harris defende que a moral pode vir da nossa capacidade de racionalizar e ajudar outros simplesmente porque conseguimos saber que isso ou aquilo é bom ou não. Muitos biólogos, ainda, dizem que sentimentos de altruísmo e compaixão derivam de mecanismos que usamos em tempos remotos na luta pela perpetuação da espécie.

Agora, um laboratório na Suíça acelerou a evolução de espécies. Após centenas de gerações de robôs, observou-se que os mesmos começaram a ajudar uns aos outros, inclusive dando a vida! Os mecanismos que muitos religiosos julgam ser frutos de nossa alma, virtudes divinas, etc, parecem obedecer a leis racionais muito mais mundanas do que eles gostariam de acreditar.

Os robôs de um laboratório na Suíca evoluíram para se tornarem capazes de se ajudarem entre si, assim como previa um paradigma clássico na biologia de auto-sacrifício capaz de emergir entre as espécies.

 
As incríveis descobertas foram publicadas agora, no dia 3 de maio, na biblioteca pública de ciências biológicas da Universidade de Lausanne.
“Por centenas de gerações temos demostrado que a Regra de Hamilton prevê com precisão a relatividade mínima para que o altruísmo evolua (entre as espécies)”, escreveram os pesquisadores liderados pelo biólogo evolucionário Dr. Laurent Keller.
Regra de Hamilton foi cunhada pelo biólogo W. D. Hamilton em 1964, enquanto ele procurava demonstrar como organismos altamente ostensivos eram capazes de evoluir para compartilhar seu tempo e recursos com outros organismos, até mesmo sendo capazes de se sacrificar para que fosse possível preservá-los.
O paradigma que levou o seu nome terminou por codificar as diferentes dinâmicas (graus distintos de relatividade genética entre os organismos e os prós e contras de compartilha-los entre si) de maneira que o altruísmo fizesse sentido do ponto de vista evolucionário.
A regra ainda é combatida em certos pontos, onde muitos cientistas a extrapolavam em extremos que iamdesde insetos a humanos, provocando discursos superestimados e que os relacionavam de maneira que o princípio teórico acabava superando qualquer identificação experimental.
O contraponto sempre foi o fato de que os próprios fundamentos da Regra de Hamilton são difíceis de serem testados em sistemas e ambientes naturais, onde as espécies acabam evoluindo bem mais devagar que os ciclos de pesquisa costumam contemplar.
“O princípio fundamental da seleção natural também pode ser aplicado a organismos sintéticos”, dizem os pesquisadores.
As simulações com os robôs são capazes de “reproduzir” fielmente em apenas minutos ou horas esses mesmos ciclos, tornando o estudo das dinâmicas evolucionárias algo bem mais ágil e também com um escopo bem mais amplo.
Apesar de simples em relação a animais e organismos vivos, o grupo de cientistas liderados por Keller afirma que os modelos robóticos não são nada diferentes dos insetos que originalmente inspiraram os estudos de Hamilton.
Em um novo estudo, robôs de apenas uma polegada equipados com sensores infravermelho foram programados para procurar discos que representavam “alimento”, tendo como principal objetivo empurrá-los para uma área designada.
Ao final de cada ciclo de busca pelo alimento, os “genes” computadorizados dos robôs que tiveram êxito em encontrar comida foram misturados e copiados em uma nova geração de robôs, formando a nova geração e sua respectiva “herança genética” acumulada. Enquanto que os robôs que não foram bem sucedidos, “morriam” e desapareciam do pool genético das famílias de amostras.
A cada pequeno robô foi dada a chance de escolher entre pontos cuja recompensa por encontrar alimento podia ser compartilhada livremente com outros robôs que não haviam encontrado alimento, dando-lhes assim a chance de fazer com que seus genes “sobrevivessem”, se aglomerando ou perdurando naquele grupo.
Em diferentes interações durante os experimentos, os pesquisadores alteravam os custos (dispêndio de energia e etc) e os benefícios de se compartilhar o alimento encontrado com outros robôs, por inúmeras vezes. O resultado surpreendeu a equipe, ao perceberem que os robôs com “genes” mais fortes evoluíam a ponto até de se sacrificarem para poderem compartilhar com os outros robôs, exatamente nos mesmos níveis previstos pelas equações de Hamilton.
“Estes experimentos demonstram a ampla aplicabilidade da teoria de seleção das espécies”, anotam os cientistas do estudo.
O vídeo abaixo mostra a evolução dos robôs em questão a partir de um detalhado estudo de comportamentos cooperativos e altruísticos nos primeiros estágios da pesquisa do Dr. Keller. O primeiro estudo estabeleceu a base para o altruísmo dos robôs; agora o novo estudo explora a sua relação com toda a teorética biológica.

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