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Mostrando postagens de Fevereiro, 2014

Médico, revolucionário e paleontólogo

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James Parkinson lutou contra o governo francês e deu nome, 60 anos após sua morte, ao mal neurológico descrito por ele como "paralisia trepidante"
Por Vincent Mottez em História Viva

Filho de um farmacêutico, James Parkinson nasceu em 11 de abril de 1755, no bairro londrino de Hoxton Square. Ele estudou grego, latim, história natural e filosofia, disciplinas elementares na época, para seguir a carreira de medicina. Diplomado em 1784, ele começou a exercer a profissão de cirurgião ao lado de seu pai. Em 1783, ele se casou com Mary Dale, que lhe deu seis filhos. Parkinson era o tipo de médico que poderíamos qualificar como humanista. Sensível à aflição humana, ele se ocupava dos pobres da paróquia, tomava conta da enfermaria de uma fábrica e assumiu responsabilidades em um manicômio. 

Quando isso não era exatamente comum entre os médicos, ele se preocupava em melhorar as condições de vida dos doentes e em lhes devolver a dignidade, sem perder de vista as patologias “sociais” que …

Ucrânia: laços indiscretos entre EUA e neonazistas

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Politicas abertamente pró-nazistas do Svoboda não impediram senador americano John McCain de falar num comício do partido; nem evitaram que a secretária-assistente do Estado, Victoria Nuland, desfrutasse um encontro amigável com líder da agremiação
Obcecada em vitória geopolítica na Europa Oriental, Washington envolveu-se com grupos que defendem “supremacia branca” e atacam comunistas, anarquistas e judeus.

fonte: Opera Mundi
Quando os protestos na capital da Ucrânia chegaram a um desfecho, este fim-de-semana, as demonstrações de extremistas fascista e neo-nazista assumidos tornaram-se evidentes demais para serem ignoradas. Desde de o inicio dos protestos, quando manifestantes lotaram a praça central para combater a policia ucraniana e exigir a expulsão do corrupto presidente pró-russia Viktor Yanukovich, as ruas estavam cheias de pelotões de extrema-direita, prometendo defender a pureza ética de seu país. Bâners dos partidários da “supremacia branca” e bandeiras dos confederados norte-…

Do canhão de mão ao fuzil de assalto

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Los Angeles County Museum of ArtNo conflito entre França e Prússia, os fuzis Dreyse armavam os prussianos, enquanto os franceses utilizavam o Chassepot Por Vinicius Cavalcante em História Viva
Um grande estudioso da arte da guerra, Mao tsé-tung, dizia que as armas fazem menos diferença do que a capacidade dos combatentes que as utilizam. Realmente, de nada adianta pôr uma arma, ainda que sofisticada, nas mãos de um soldado que não esteja à altura de empregá-la. A história está repleta de exemplos de conflitos em que forças muito bem equipadas, porém com soldados de baixa qualificação, perderam combates para forças menores e menos aparelhadas, mas compostas por quadros mais bem treinados e motivados. Qualquer analista atento à crônica da criminalidade em nossos grandes centros já deve ter observado criminosos, sobretudo jovens, que ostentavam armamento militar moderno e sofisticado, sendo sobrepujados em operações em que as forças policiais não portavam armas à altura dos seus adversár…

Chegou o Carnaval!

No final do século XIX, a folia se popularizou a partir da praça Onze, num movimento que daria origem a uma das maiores manifestações da cultura brasileira: as escolas de samba
Por Mauricio Barros de Castro em História Viva

A praça Onze, maior reduto do Carnaval popular carioca, se encontrava lotada naquela noite de domingo, mais precisamente no dia 8 de fevereiro de 1932. O motivo da concentração no lugar era um acontecimento que se tornaria histórico. O público que se aglomerava na praça vinha presenciar o primeiro desfile oficial das escolas de samba, competição organizada pelo jornal Mundo Sportivo, que pertencia ao célebre jornalista Mário Filho.

Provocações para os historiadores

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O professor Mauro Cezar Coelho avalia como a obrigatoriedade do ensino da história indígena pode valorizar a diferença como um atributo da cidadania
Por Mauro Cezar Coelho

“Incorporar o índio ao saber histórico escolar não significa apenas promover alterações nas narrativas. Implica, isto sim, a apreensão da trajetória brasileira de uma perspectiva pautada por categorias como diversidade, pluralidade e diferença”

A produção historiográfica brasileira viveu alterações decisivas desde a sua constituição no século XIX, a partir da produção elaborada em torno do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Naquele primeiro momento, ela esteve comprometida com a conformação da nacionalidade, por meio da proposição de uma memória comum que integrasse os povos espalhados pelo imenso território. No século XX, a produção historiográfica tornou-se espaço de especialistas no trato com documentos e conceitos – momento de redimensionamento do saber histórico, com a emergência de questões, objetos, ab…

A CIA por trás da União Europeia

De 1949 a 1959, os americanos, por intermédio de seus serviços secretos, descarregaram milhões de dólares nos movimentos pró-europeus – incluindo os de Churchill e do francês Henri Frenay.
Por Rémi Kauffer em História Viva

Aos 82 anos, Henri Frenay, o pioneiro da Resistência, fundador do movimento Combat, ostentava condição intelectual magnífica, apesar da surdez no ouvido direito e de uma operação do estômago. No entanto, ele teria apenas mais três meses de vida... Naqueles dias de maio de 1988, ele me falou da Europa em seu apartamento. Dessa Europa federal com a qual ele havia sonhado em vão entre 1948 e 1954. E também da dívida que, em caso de sucesso, o Velho Continente teria contraído com os americanos, em especial aqueles do “Comitê”. Ele insistiria nisso uma vez, duas vezes, dez vezes, enquanto eu me interrogava: por que diabos esse misterioso “Comitê” retornava com tamanha frequência em nossas conversas? Por quê? No entanto, Frenay terminou por me confiar – é verdade que com in…